EMANAÇÃO DUAL

Óleo sobre tela 41/29,7 cm

"A humanidade é masculina, e o homem define a mulher não em si mesma, mas em relação a si próprio."

Simone de Beauvoir (O Segundo Sexo)

Os dois géneros naturais do Homo habilis têm, desde a origem, percursos paralelos. Diferem na compleição física e na sensibilidade mental, mas são complementares na existência, emanando de uma mesma matriz humana.
A dualidade entre macho e fêmea não fratura a essência comum: emerge da forma como cada mente comanda o corpo e organiza a sua presença no tempo.

A natureza humana permanece constante; o que varia são as estratégias de existir enquanto tal. É dessas estratégias que nascem individualidades distintas, capazes de produzir diferentes visões de futuro a partir do mesmo instante vivido. O ser humano evolui e amplia a sua capacidade criativa no "agora", onde experiência acumulada e antecipação se encontram.

A evolução dos géneros humanos desenvolve-se em rotas análogas, enraizadas na mesma essência, embora guiadas por sensibilidades diferentes. Cada ser humano constrói uma sensibilidade própria, não assimilável pelo seu par, que progride segundo a sua própria coerência interna.

Rui - Janeiro de 2026